Escárnio!
Diante do escândalo provocado por relações impróprias — para dizer o mínimo — entre ministros e empresários, e da tentativa de criar um mísero “Código de Conduta” apenas para aparentar que algo está sendo feito, o ministro Moraes se põe no papel de vítima. Queixa-se mpostas aos magistrados, como a vedação de serem sócios de empresas.
Convém lembrar que, recentemente, veio à tona a informação de que seu antigo escritório — hoje conduzido por sua esposa — firmou um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, para a prestação de serviços que, até agora, não foram claramente identificados.
O ponto, portanto, não são palestras ministradas por membros da Corte. O problema é a rede de relações que se estabelece em torno dessas palestras: vínculos com os contratantes, alguns deles com interesses diretos no Supremo — em certos casos, inclusive como réus — ou com causas que aguardam julgamento.
Eles perderam, de fato, qualquer noção da realidade.
“Não há nenhuma carreira pública com tantas vedações como a magistratura. Já começam as vedações constitucionais. O magistrado não pode fazer mais nada da vida. Só o magistério. O magistrado pode dar aulas, pode dar palestras. E, como o magistrado só pode dar aulas e só pode dar palestras, passaram a demonizar palestras dadas por magistrados. Todas as carreiras podem ser sócio comercial, inclusive atuando, podem exercer em outros horários outras atividades. O magistrado, não. Pode dar aula e palestras. Por falta do que criticar, daqui a pouco também a má-fé vai para quem dá aula nas universidades”, disse o ministro.