Hoje eu escrevo com o coração apertado, tomado por uma mistura de amor, saudade e uma dor profunda que ainda não encontrou alívio: a dor da injustiça. Orelha não foi “só um cachorro”. Ele foi uma história, uma alma pura, um ser que carregava no olhar uma doçura que o mundo não ão sentir revolta ao perceber que, até agora, não houve justiça por tudo o que ele sofreu. Como pode alguém tão inocente, que só sabia amar, ter sido vítima de tanta maldade… e ainda assim o mundo seguir como se nada tivesse acontecido? Isso machuca. Machuca de um jeito que não passa, que não cala.
Eu, Taiana, posso dizer com toda certeza que amei o Orelha. Mesmo não tendo convivido com ele todos os dias, conhecer a história dele, cada detalhe, cada pedacinho da sua vida, foi suficiente para criar um laço verdadeiro. Um amor sincero, daqueles que a gente sente no fundo da alma. E junto com esse amor, veio também um desejo imenso de poder voltar no tempo… de poder protegê-lo, de livrá-lo de toda a dor, de toda a crueldade que ele enfrentou.
Ele não merecia nada disso. Orelha só merecia amor. Só merecia cuidado, carinho, um lar cheio de paz. Ele merecia viver dias felizes, correr livre, ser abraçado, ser tratado como o anjo de quatro patas que sempre foi.
E mesmo diante de tanta injustiça, uma coisa nunca vai mudar: o lugar que ele ocupa. Orelha foi, é e sempre será o melhor cachorrinho do mundo. A memória dele permanece viva, forte, e cheia de significado. Porque o amor que ele despertou nas pessoas é maior do que qualquer maldade que tentaram impor a ele.
E enquanto a justiça dos homens falha, fica a esperança de que, de alguma forma, a verdade e o reconhecimento ainda cheguem. Por ele. Pelo que ele representou. E por tudo o que ele merecia ter vivido.